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Luís Todo Bom 05 de Agosto de 2020 às 19:08

A intervenção do Estado nas empresas

Esta presença do Estado, que devia ser temporária, enquanto a empresa não se robustece para enfrentar os mercados globais e atrair parcerias internacionais, tenderá a eternizar-se, de modo a manter os empregos destes militantes partidários.

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Na sequência da crise, económica, social e financeira, provocada pela pandemia em curso, vamos assistir a um aumento significativo da presença do Estado nas empresas privadas portuguesas.

A recente intervenção, na TAP e na EFACEC, é só a ponta do icebergue.

A intervenção directa do Estado vai ocorrer em muitas mais empresas privadas.

Por solicitação expressa dos empresários, nalguns casos, por decisão unilateral do Governo, noutras situações.

Com a entrada de capital público nestas empresas, o Estado torna-se accionista das mesmas, e quererá participar na sua gestão, indicando elementos para os respectivos conselhos de administração.

A manter-se a prática actual, o Governo indicará membros do Partido Socialista para estes lugares, sem as qualificações e competências necessárias, para o exercício dessas funções.

Com a extinção do IPE – Instituto das Participações do Estado, o Governo deixou de ter um instrumento de intervenção, minimamente ordenada, nas empresas onde o Estado detém participações.

A Parpública não está vocacionada para este papel, sendo basicamente uma instituição de gestão financeira de participações sociais do Estado.

Por tudo isto, receio o pior, com a inundação de empresas privadas viáveis, por boys do PS, indicados pelos vários membros do Governo.

O programa de reindustrialização, de modernização e de melhoria da capacidade competitiva nacional exigirá um processo de crescimento, de aumento de escala e de reforço dos capitais próprios das empresas.

A introdução de novas tecnologias, horizontais e sectoriais, e o desenvolvimento de processos de inovação radical nas empresas, para poderem competir nos mercados mais exigentes, exigirão grandes investimentos e balanços robustos das empresas.

O aumento das exportações, de modo a atingirmos o objectivo de 60% do PIB, com a entrada de mais empresas nestes circuitos internacionais e com a conquista de novos mercados, comportará também grandes investimentos em promoção e marketing internacional das empresas exportadoras.

Redireccionar o nosso turismo para mercados, produtos e serviços de maior valor acrescentado exigirá às nossas empresas turísticas um esforço equivalente.

Todos estes processos vão necessitar da entrada de capitais públicos nestas empresas para reforço dos seus balanços e da sua capacidade financeira.

Esta presença do Estado, que devia ser temporária, enquanto a empresa não se robustece para enfrentar os mercados globais e atrair parcerias internacionais, tenderá a eternizar-se, de modo a manter os empregos destes militantes partidários.

As empresas, mal geridas, perderão competitividade, verificando-se que, no pós-pandemia, após a injecção de montantes consideráveis de fundos provenientes da União Europeia, o país ficará numa situação pior que a actual.

Condenando, definitivamente, à emigração os nossos melhores quadros jovens, provenientes das nossas melhores universidades, científicas, de gestão e de engenharia.

 

Vamos assistir a um aumento significativo da presença do Estado nas empresas privadas portuguesas.
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