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Miguel Pinto 06 de Agosto de 2020 às 10:20

Indústria 4.0

A quarta revolução industrial é um período extremamente importante para a história humana. Muito já se fez e já se desenvolveu, mas muito está ainda numa fase acelerada de desenvolvimento e implementação, de forma a podermos aproveitar as vantagens desta corrente de evolução.

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"A quarta revolução industrial é a mais importante - e as suas ramificações são mais profundas -do que qualquer outro período da história humana." Gosto especialmente desta frase de Klaus Schwab, presidente executivo do Fórum Económico Mundial e um dos principais autores sobre este tema.

 

Mas o que torna a Indústria 4.0 tão diferente de todas as anteriores? É indiscutível que esta revolução tem alterado radicalmente a forma como vivemos e trabalhamos. Enquanto a Indústria 3.0 se focava essencialmente na automatização de máquinas e processos, esta quarta dimensão da evolução industrial tem o seu foco no digital, na total digitalização dos ativos físicos e na sua integração em ecossistemas digitais com os vários parceiros da cadeia de valor.

 

Na sua essência, esta revolução industrial difere em escala, mas também em velocidade das anteriores, pois ocorrem, simultaneamente, avanços em áreas distintas a uma velocidade nunca vista até hoje. É a fusão das diferentes tecnologias e as suas interações nos domínios físicos, digital e biológico que colocam esta quarta revolução industrial no centro do desenvolvimento tecnológico da nossa sociedade global.

 

A velocidade relâmpago com que as coisas ocorrem, a sua escala generalizada e o seu impacto muitas vezes disruptivo, sem precedentes, em todos os aspetos das nossas vidas são características únicas da Indústria 4.0, que marca o início de uma nova era, sendo por isso essencial compreender o impacto para todos nós.

 

Mas o que está a impulsionar esta revolução? O aparecimento e o amadurecimento de novas tecnologias como a inteligência artificial, a IOT (Internet of Things), a impressão em 3D, a digitalização, a robótica, a realidade virtual, assim como uma velocidade de recolha e processamento de dados, constituem o ADN da Indústria 4.0.

 

Com base nestes pressupostos e assumindo que a reindustrialização é uma necessidade emergente para o desenvolvimento do nosso país, temos de apontar o caminho para conseguirmos desenvolver a nossa economia de forma competitiva e de modo a criar riqueza para todos os stakeholders.

 

Para isso, é importante criar condições para que o investimento em tecnologias que suportam esta nova realidade tecnológica exista e seja impulsionado, tanto por parte do Estado, como também do setor privado. Ao mesmo tempo, algumas políticas públicas têm de ser implementadas no sentido da promoção da requalificação dos atuais recursos humanos para uma nova realidade. Sabemos que estes terão de ser mais flexíveis, com uma maior visão sistemática, capacidade de resolução de problemas cada vez mais complexos e também com maior conhecimento tecnológico, sem perder o foco nas competências apenas acessíveis (pelo menos para já) aos humanos, como sejam a inteligência emocional, contextual ou inspiracional.

 

A quarta revolução industrial é um período extremamente importante para a história humana. Muito já se fez e já se desenvolveu, mas muito está ainda numa fase acelerada de desenvolvimento e implementação, de forma a podermos aproveitar as vantagens desta corrente de evolução. Temos de dar este "salto" qualitativo e de mudança de "mindset", caso contrário aquilo que pode ser uma oportunidade irá transformar-se numa ameaça e iremos perder o comboio desta revolução, o que nos irá relegar para o fim da fila no desenvolvimento económico.

 

Num universo de grande competição, as empresas que conseguirem aliar tecnologia, processos ágeis e recursos humanos qualificados, para personalizar produtos estarão um passo à frente no seu setor - já que os consumidores esperam, cada vez mais, obter produtos pensados exclusivamente para eles. Além da tendência de aumentar a eficiência na produção, a empresa vai conseguir oferecer um valor adicional aos seus produtos, transformando a experiência do consumidor.

 

Numa altura em que já se fala em Indústria 5.0 e em pôr o ser humano no centro da inovação e transformação tecnológica, importa relembrar o papel da Indústria 4.0 em todo este processo de evolução e no muito que ainda há para fazer e desenvolver neste que é um dos períodos mais importantes da história do desenvolvimento tecnológico global. 

 

Managing Director Continental Advanced Antenna Portugal

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