A carregar o vídeo ...
Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Casinos perderam 157 milhões na “roleta” pandémica

Os casinos físicos portugueses perderam 50% das suas receitas brutas em 2020, tendo fechado o ano com uma faturação de 157,9 milhões de euros, o valor mais baixo dos últimos 23 anos. E abriram o novo ano com o mesmo azar com que fecharam o velho: fechados.

Rui Neves ruineves@negocios.pt 25 de Janeiro de 2021 às 11:47
  • Assine já 1€/1 mês
  • ...

Em 1997, antes mesmo de Lisboa, Tróia e Chaves terem também o seu casino, as então oito salas de exploração de jogos de fortuna e azar do país fecharam o ano com receitas brutas da ordem dos 155 milhões de euros. Quase meio século passado, o setor voltou à casa de partida desta história: os 11 casinos portugueses encerraram 2020 com receitas de 157,9 milhões de euros, menos 50% face aos 315,2 milhões registados no ano anterior, segundo as estatísticas fornecidas ao Negócios pela Associação Portuguesa de Casinos (APC).

Uma “performance” catastrófica determinada pela pandemia global. “As sucessivas declarações de estado de emergência e de calamidade levaram ao encerramento total dos casinos durante mais de dois meses e meio, de 14 de março até ao início de junho, sendo o seu funcionamento, a partir desse mês, sucessivamente interrompido por novas obrigações de encerramento em dias determinados”, lembrou ao Negócios fonte oficial da associação do setor.

Resultado: “Os casinos portugueses estiveram encerrados durante cerca de um terço do ano de 2020”, contabilizou o mesmo responsável. É que, desde junho, a abertura dos casinos ao público tem ocorrido “em períodos diários menos rentáveis, com a obrigatoriedade de encerramento que já chegou a ser às 20 horas, sendo atualmente às 22”, frisou. Ora, antes da pandemia, o funcionamento diário verificava-se até às 3 horas, “com as horas mais rentáveis a ocorrerem a partir das 23”, realçou a mesma fonte da APC. Por outro lado, a oferta de jogos “teve também de decrescer substancialmente”, para cumprir o obrigatório distanciamento físico entre os clientes.

Acresce que os casinos físicos, cujas receitas tinham já registado um decréscimo de 2,5% em 2019, após quatro anos de crescimento, “já se defrontavam com uma concorrência crescentemente agressiva, quer por parte do jogo de casino online, quer dos jogos físicos e online da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (com destaque para o Placard, a Raspadinha e o Euromilhões)”, enfatiza o gestor da associação patronal.

Ora, segundo a mesma fonte, “em ambiente de pandemia, esta concorrência dos casinos online e da Santa Casa intensificou-se, não só porque durante um terço do ano os casinos físicos estiveram fechados”, mas também porque, “mesmo com eles abertos, muitos clientes, por razões sanitaristas, passaram a preferir ofertas de jogo que não impliquem a sua presença em público”.

Maiores casinos perdem mais, o mais pequeno menos

Os dois maiores casinos do país, o de Lisboa e o do Estoril, que pertencem ao grupo Estoril-Sol, foram os que mais receitas brutas perderam no ano passado – para 38,4 milhões e 30 milhões de euros, respetivamente, o que traduz quebras correspondentes a 54,6% e 52,2% face ao ano anterior. O da Póvoa, que pertence ao mesmo grupo, recuou 48,8% para 23,2 milhões.

Já o mais pequeno dos casinos físicos nacionais, em termos de receitas, o de Tróia, da Oxy Capital, foi o que registou a quebra mais pequena do setor, ao fechar 2020 nos 2,8 milhões de euros, menos 31,3% do que em 2019.

A ameaça de novos hábitos

Tendo entrado em 2021 como saíram de 2020 – fechados –, e face a novos períodos de encerramento em perspetiva, os casinos “não podem encarar com otimismo o ano que agora se inicia”. Mais: “Um controlo da pandemia, mesmo que acontecesse, teria efeitos muito lentos no restabelecimento da frequência dos casinos físicos, dada a alteração de hábitos dos frequentadores que inevitavelmente se está a verificar”, antevê a mesma fonte oficial da APC, em declarações ao Negócios.

 

Pandemia baralha concessões “Dadas as circunstâncias inerentes à pandemia da doença covid-19 e às condições adversas de mercado”, o Governo entendeu que “não houve objetivamente possibilidade de lançar” os concursos públicos para as concessões das zonas de jogo do Estoril, Lisboa e Figueira da Foz, que terminaram no final do ano passado. “Manter-se-ão em vigor”, fixou. O Ministério da Economia adiantou que “o Governo está a criar, em articulação com a associação do setor” – que não quis pronunciar-se sobre esta matéria –, “o quadro apropriado para gerir o impacto da pandemia e das restrições ao funcionamento dos casinos, que tornam inexigíveis as contrapartidas mínimas existentes nos contratos e que comprometem a solvabilidade das empresas”.

 

 

Em ambiente de pandemia, a concorrência agressiva dos casinos online e da Santa Casa intensificou-se.

 

Mesmo com os casinos físicos abertos, muitos clientes, por razões sanitaristas, passaram a preferir ofertas de jogo que não impliquem a sua presença em público. associação de casinos
Fonte oficial

 

Ver comentários
Outras Notícias